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Quantas e quantas vezes já nos fizemos essa pergunta?

Parece que todos à nossa volta estão preocupados com nossa vida, com o que faremos, como faremos, quando faremos, com quem faremos, etc. Ou pior, às vezes parece que todos estão julgando aquilo que fizemos, ou o modo como fizemos, ou o momento, ou com quem estávamos quando fizemos... Enfim, quando não estamos enfrentando a multidão de sábios ou videntes, estamos enfrentando os juízes e advogados. Rs... Eu não sei até que ponto isso é bom ou ruim. Na minha opinião, o julgamento nunca é bom, mas entendo que há uma tendência natural em julgarmos. Creio ser por isso que Jesus nos alertou sobre os perigos de julgar aos outros. De encontro a isso, creio que, como está escrito, "na multidão dos conselhos reside a sabedoria.". Pois, bem. Entretanto, ainda que seja algo bom para nós, raramente é algo agradável. A verdade é que sentimos frequentemente que não somos compreendidos, ou, então, nos sentimos julgados. O peso de termos vários olhos sobre nós não parece ajudar muito nos momentos de decisão. A verdade é que, exceto Deus, nunca haverá alguém que compreenderá com perfeição o que estamos sentindo com relação a vida como um todo, ou a alguma vertente em especial. Nada tem a mesma importância para duas pessoas simultaneamente nesse mundo. A dor de uma pessoa é diferente da dor da outra pessoa. A felicidade de uma pessoa está em coisas diferentes do que está para outra pessoa. Vivemos coisas diferentes e sentimos cada uma delas de forma diferente. Quer um exemplo simples? 
Cansada de me entregar juízo de valor precipitado ao meu respeito. 

Reservei os últimos dias para deixar minha consciência desenvolver sua tese. Quero argumentos válidos, bem fundamentados e defendidos com convicção. Nada de achismos e conversas curtas. Quero saber as fontes do conhecimento construído. Quero as imagens que comprovam os fatos, sejam eles felizes ou não. 

Ah! Não quero uma apresentação plagiada de algum outro livro. Quero originalidade e criatividade. E o autor da tese deverá estar mais do que envolvido, deverá estar comprometido. 

Definidas as regras, pergunto ao autor: "Me fiz clara?". Então respondo a quem pergunta: "Sim. Podemos começar."

Cá estou eu. Nem mesmo passei do primeiro capítulo e já tive aquele chamado “Encontro com meu eu”. Aquela que sempre diz aos outros que se deve dizer como se sente e fica ali, a despeito da minha própria fala, firme como uma rocha, sendo forte para todos, mas prostrada por dentro. Eu era especialista em colocar no papel aquilo que sinto, mas, depois de um tempo, eu parecia ter feito um pacto com a vida para apenas dizer o que penso. O que eu havia esquecido é que dizendo o que penso posso ser forte e corajosa, mas, dizendo o que sinto sou livre. 


Falar sobre nosso sentimento sem pensar muito no que será dito é de fato um encontro no espelho. Nessas horas não precisamos de ninguém para assumir a culpa; não precisamos de justificativas para os nossos erros, nem de holofotes para os nossos feitos, ou aplausos e elogios para nossa retórica. Tudo o que precisamos é deixar fluir o que sentimos com relação a nós mesmos, à vida e tudo que nos acontece. Então, conseguimos o maior nível de sinceridade possível. 

Pensando dessa maneira (Agora sim, “pensando”), me ocorreu que esse princípio já nos havia sido ensinado antes, mas, ao menos eu, nunca havia parado para pensar nisso. Jesus nos disse para nos retirarmos ao nosso quarto, ao nosso íntimo, para falarmos com o Pai. Claro. Quem melhor do que ele para nos ensinar que, dessa forma, podemos ser muito mais sinceros em nossas orações? Ele sabia que não poderíamos ter uma conversa com Ele, sem ter uma conversa com nossa própria consciência. Já que quando nos aproximamos da luz, as trevas vão embora. A mim parece ser essa a única forma de conseguir uma duradoura e saudável renovação da mente (1Cor12.1). 

Vou continuar lendo esse livro tão intrigante. A companhia de Eugênio Mussak foi mais uma vez muito bem-vinda nessa manhã. Contudo, conforme ele mesmo acabou de ensinar-me, vou retirar-me mais um pouco à minha própria companhia e aguardar que ao conhecer-me um pouco mais, possa apresentar um nível maior de sinceridade Àquele que desejo que seja o próximo a falar comigo hoje, antes que a vida venha toda faceira novamente a me saudar. 

resenha do livro preciso dizer o que sinto

a prática do autoconhecimento
Falar sobre autodescoberta... Sobre a busca da própria essência... Quem nunca se olhou no espelho e deixou de se reconhecer? Acredito que todos nós passamos por fazes assim. Nos procuramos em tudo o que fazemos e não nos encontramos. Sabe aquele período em que toda ideia legal que temos visualizamos outra pessoa realizando? Parece que entramos numa inércia, como se a própria gravidade nos pregasse naquele lugar. Nossa cabeça até pensa em correr e sair desse cenário, mas nosso corpo não obedece. Já passei muito por isso. Antes, achava que isso só fazia relação com as coisas que eu estava realizando. Como não me realizavam, pensava que era apenas uma circunstância - realizar algo em que não me encontrava. Mas, passado um tempo, tenho concluído que não basta apenas nos encontrar no que realizamos. Precisamos nos encontrar em nós mesmos. Precisamos nos reconhecer em nós. Precisamos afirmar à nossa consciência que nossa essência não mudou; que estamos ali, que nossa força ainda é relevante, que o cenário não nos arrancou de nós mesmos.

A mudança - e até mesmo o amadurecimento - é válida, necessária e inevitável. Isso é algo inerente ao ser humano. Mas por mais que mudemos, e que saibamos ser esse um processo natural e intrínseco a nós, se faz necessário o autoconhecimento e, mais do que isso, o autorreconhecimento.  Se de alguma maneira nos parecer que não estamos mais lá, perdemos o foco, o sentido, a esperança. E esse movimento é constante. 

Isso não te parece coisa da tal Metanoia? Mas ainda nem completei 30! Uma pessoa, de uma outra crença que a minha, uma vez me disse que eu tenho um espírito antigo. Apesar de ter outra fé, eu entendi exatamente o que aquela frase significava. Claro que isso até envaideceu-me um pouco, pois traduzindo o que ela disse para o "evangeliquês", naquele momento ela estava me reconhecendo como uma pessoa com certa maturidade espiritual. A amiga estava somente sendo generosa em seu comentário, quando, na verdade, a cada dia tenho descoberto como sou menina para as coisas da vida e para as coisas de Deus. E fico pensando se um dia terei algo importante para ensinar aos meus filhos, netos e, quiçá, bisnetos. Imagine: a jovem que queria mudar o mundo pensando se vai conseguir ensinar algo bom para os seus. Talvez a vaidade tenha se ausentado de mim por um tempo... E não é baixa auto-estima, como algum de vocês pode estar pensando. Tenham certeza. Esta eu conheço bem também. É um reconhecer-se frágil, mesmo sabendo que é forte; um saber qual é o caminho, mas não ter certeza de onde ele te levará.  Portanto, está mais para um autoconhecimento, uma busca por mim mesma e até uma confissão de minhas pequenices... 

Sou só eu? Ou alguém por aí também está se sentindo assim?

"Algum dia, em qualquer parte, em qualquer lugar, indefectivelmente, encontrar-te-ás a ti mesmo e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga das tuas horas." (Pablo Neruda)

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